Sapatilhas de ponta

Os exercícios infantis no Ballet devem ser adequados à capacidade neurológica músculos-esquelética da criança; assim sendo, é impossível exigir que ela faça esforços, como ficar na ponta dos pés fora de hora.

Toda menininha sonha em ser bailarina, e “ser” bailarina para ela é ficar na ponta dos pés e fazer o grand écart (abertura total das pernas). Aliás, para a grande maioria dos pais, este também é o conceito de “ser bailarina”, pois quando matriculam suas filhas no Ballet, vão logo perguntando: “quando é que ela vai aprender a ficar na ponta dos pés e fazer abertura total?”

Mas a realidade é outra, tem que ser outra. Para se alcançar esse doce sonho, é preciso muitos anos de trabalho sério e consciente e o corpo já ter uma formação músculo-esquelética definida e preparada.

Em nosso método de trabalho, admitimos crianças a partir de 4 anos de idade, e até os 7 anos o nosso curso limita-se a aulas de criatividade e musicalidade, juntamente com uma introdução ao Ballet.

O estudo da técnica do Clássico vai sendo implantado a partir de 8 anos (Básico I), bem gradativamente, levando-se sempre em consideração a anatomia, a ossatura, enfim, a constituição física de cada criança.

O uso das sapatilhas de ponta se dá no Básico IV, com 11 a 12 anos de idade, pois a criança já está preparada para receber Atal esforço.

Desse nível e dessa idade em diante, ela já pode fazer sua opção: continuar no Ballet Clássico, ou ingressar para o jazz, Gym-Dance ou Moderno, pois já tem base suficiente.

Assim sendo, é anti-profissional exigir que uma criança com menos de 11 anos faça esforços como ficar na ponta dos pés. Esse equilíbrio só vai sendo adquirido com desenvolvimento, compatível ou resultante de um grau de mielinização aja adiantado. Mielinização é a deposição de mielina nas fibras nervosas, ou seja, quando um bebê nasce , ele tem reflexos nervosos, claro, mas não tem coordenação motora. Esta mielinização só se completa na puberdade, dos 10 aos 12 anos para meninas e de 14 aos 16 anos para meninos.

Exemplificando, por isso é que os brinquedos educativos indicam a idade própria para a criança manejá-los, ou seja, uma criança de 3 anos não pode executar movimentos finos, como por exemplo enfiar uma linha na agulha. Portanto, é impossível exigir que uma criança fique na ponta dos pesou faça movimentos finos de Ballet Clássico fora de sua época.

O sustentar sobre as pontas não é somente uma evolução técnica, mas também uma adaptação do corpo a uma nova forma de equilíbrio, com a fortificação de ossos, tendões, ligamentos e músculos.

Para tanto, alguns exercícios são indicados para fortificar e preparar o corpo para o uso das pontas:
Demi-plié em qualquer posição, o mais profundo possível e sem despregar o pé do piso. Praticá-los de forma lenta e rápida.

Meia Ponta o mais alto possível, descendo e subindo

- Toda a variedade de frappéstendus e todo exercício que contribua para proporcionar o arco do pé.

O primeiro tempo de uso de sapatilhas de pontas deve ser medido e curto , realizando-se unicamente na barra os exercícios mais rudimentares (as duas mãos na barra): releves em distintas posições, pequenos demi-pliés, etc. igualmente ao passar para o centro, da o tempo necessário para introduzir passos que requeiram equilíbrio e força sobre a perna.

A primeira bailarina a usar sapatilhas de ponta foi Marie Taglione em 1826, em Viena.

Fonte: Livro “Dançar e Sonhar – A Didática do Ballet Infantil”

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